Escrito porAlisson Ficher

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Efeito sobre a EF-118 e a malha do Sudeste

O reequilíbrio logístico não se limita a São Paulo.

No Rio e no Espírito Santo, a EF-118 avança com estudos e consultas que tiveram etapas públicas em janeiro de 2025.

A ferrovia está concebida para conectar polos portuários estratégicos, com ligações à rede existente da MRS no estado do Rio e, por consequência, ao eixo paulista.

Ao criar um “anel” de opções entre terminais de RJ e ES, a EF-118 amplia o leque de saídas para cargas que anteriormente convergiam, quase invariavelmente, para Santos.

A leitura no Ministério é de que o Ferroanel, ao destravar a chegada a São Paulo, facilita a modelagem e a atratividade da concessão da EF-118, consolidando um corredor integrado no Sudeste.

Impacto operacional: trens fora da área urbana e mais janelas de circulação

A retirada do tráfego pesado de carga da malha urbana paulistana é o ganho operacional mais imediato.

Ao deslocar composições para o contorno, o sistema reduz cruzamentos com linhas metropolitanas e elimina restrições típicas de áreas densamente povoadas.

Isso tende a elevar velocidades médias e previsibilidade de horários.

Em paralelo, amplia-se a capacidade de encaixe de trens longos e pesados, melhorando a eficiência na chegada e na partida de cargas com destino aos portos do Sudeste.

Essa reorganização ajuda a distribuir os picos de demanda e diminui gargalos no entroncamento ferroviário da capital.

A condição foi citada pelo governo como necessária para que o novo contrato da Malha Oeste entregue ganhos de produtividade.

Santos em novo tabuleiro competitivo

Nenhuma autoridade fala em desativação do Porto de Santos, que permanece como o maior complexo portuário do país.

O que muda é o protagonismo exclusivo no escoamento por trilhos a partir do Centro-Oeste.

Com um corredor alternativo e a interligação à EF-118, cargas com destino a mercados específicos poderão encontrar janelas e tarifas competitivas em terminais fluminenses e capixabas, conforme modais de transbordo e disponibilidade de berços.

O Ministério dos Transportes explicitou a intenção de “tirar carga do Porto de Santos” para reforçar a concorrência intrarregional.

O movimento, na visão da equipe, induz eficiência na cadeia e reduz riscos de dependência de um único acesso.

Prazos, governança e próximos passos

A Secretaria-Executiva da pasta relatou que o estudo de viabilidade da concessão deve ser encaminhado ao TCU antes do fim do próximo mês.

Essa etapa é necessária para manter o leilão de 2026 no calendário.

A proposta preserva a estratégia de ofertar, em um único leilão, alternativas de traçado com pesos distintos na competição, estimulando o concessionário a assumir o Ferroanel como investimento indutor de capacidade.

Em paralelo, a agenda da EF-118 segue com interlocução federativa e consolidação de estudos conduzidos pela Infra S.A., na linha do que foi apresentado publicamente no início do ano.

O objetivo declarado é formar um corredor Sudeste com múltiplos acessos portuários e maior resiliência operacional.

Se a rede ferroviária do Sudeste ganhar esse anel de opções e o contorno em São Paulo sair do papel junto com a nova Malha Oeste, como os embarcadores vão reorganizar suas rotas entre Santos, Rio e Espírito Santo para capturar custo e previsibilidade?