Mobilidade Estadão – Você é apaixonado por transporte sobre trilhos no Brasil? Então, pode se interessar em conhecer os 10 museus ferroviários que mencionamos nesta lista. Criamos um guia com opções em várias cidades do País. Sendo assim, confira qual é a atração mais próxima de sua residência.

1 – Museu Funicular (Paranapiacaba-SP)

O Museu Funicular de Paranapiacaba fica na Serra do Mar, em meio à histórica estrada de ferro Santos-Jundiaí. O galpão mostra aos turistas como funcionava o sistema funicular, um complexo esquema de engenharia, construído durante o império, que puxava vagões com cabos de aço, permitindo que os trens subissem trechos íngremes da montanha.

Esse museu ferroviário recebe turistas apenas durante os finais de semana e feriados das 10h00 às 16h00. Ao mesmo tempo, também é possível agendar uma visita com antecedência e conhecer o local durante os dias úteis. Os ingressos custam R$10,00 a inteira e R$5,00 a meia entrada, sendo que essa está disponível para crianças menores de cinco anos e idosos com mais de 60.

Os interessados devem comparecer ao Pátio Ferroviário, s/n – Distrito de Paranapiacaba, Santo André. Mais informações podem ser obtidas no telefone (11) 2695-1151.

2 – Museu da Estrada de Ferro Sorocabana (Sorocaba-SP)

O museu é repleto de objetos que eram usados por engenheiros e trabalhadores ferroviários durante o período em que a Estrada de Ferro Sorocabana passava pela cidade. Originalmente, o imponente casarão era a moradia do engenheiro-chefe que trabalhava na ferrovia. A visita, portanto, permite conhecer o estilo de vida dos trabalhadores da época.

Por fim, o horário de visitação do museu é de terça a sexta, das 9h00 às 16h00. O endereço é Rua Dr. Paula Souza, 420 – Centro, Sorocaba e a entrada é gratuita.

3 – Museu Ferroviário (Jundiaí-SP)

O Museu Ferroviário de Jundiaí simula uma antiga estação de trem em sua entrada, com direito a som ambiente e móveis do período histórico. No local, os visitantes podem conferir artefatos da época e conhecer a mostra “Ferrovias… muito além dos trilhos”, que apresenta os diversos impactos dos trens no município.

O público pode visitar a exposição de terça a domingo e durante os feriados, sempre das 10h00 às 17h00 na Av. União dos Ferroviários, 1760 – Pte. de Campinas, Jundiaí. O ingresso é gratuito e o telefone do local é (11) 4522-4727.

4 – Museu Ferroviário (São João del-Rei-MG)

Além de possuir ferramentas e itens usados por funcionários da ferrovia da época, o Museu Ferroviário de São João del-Rei também conta com uma locomotiva EFOM nº1 em seu acervo, trem que realmente percorria o percurso na época.

O prédio permite visitas todos os dias da semana, das 8h00 às 18h00 na Rua Hermílio Alves, 366 – Centro, São João del Rei. A entrada é gratuita e o telefone para mais informações é (32) 3371-8485.

5 – Museu Estação João Felipe (Fortaleza-CE)

Maquetes, miniaturas e conteúdo sobre a história das ferrovias no Ceará são alguns dos destaques do acervo do Museu Estação João Felipe. O prédio foi inaugurado em 2023 e foca em resgatar a história de diversos grupos no transporte sobre trilhos do estado.

De quinta a sábado, o museu ferroviário do Ceará fica aberto das 12h00 às 20h00. Ao mesmo tempo, o local também permite visitação aos domingos, das 10h00 às 18h00. Por fim, a entrada é gratuita e a localização do prédio é Rua 24 de Maio – Centro, Fortaleza.

6 – Museu da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (Porto Velho-RO)

Esse museu tem como objetivo apresentar a história da Ferrovia Madeira-Mamoré, conhecida como “Estrada do Diabo” devido ao alto número de mortes de trabalhadores por doenças e fome na sua construção. Os visitantes podem conhecer trens antigos e saber mais sobre o dia a dia dos ferroviários que trabalhavam na estrada, que foi criada durante o ciclo da borracha.

Os interessados podem conhecer o acervo de terça a domingo, sempre das 10h00 às 18h00 na Praça da EFMM em Porto Velho. O telefone para contato é (69) 98473-6948, é possível agendar uma visita de graça por meio do site do museu.

7 – Museu Ferroviário (Tubarão-SC)

As estradas de ferro que cortavam Tubarão transportavam carvão mineral durante o início do século 20. A estação de trem usada nessa época se tornou um museu, que conta a história das ferrovias na cidade, e exibe máquinas a vapor, vagões de trem reais e outros artefatos que pertenciam aos trabalhadores das ferrovias.

Ficou interessado? Sendo assim, prepare-se para as visitas entre segunda e sexta, das 08h00 às 12h00 e das 13h30 às 17h00. O endereço é Av. Pedro Zapelini, 2200 – Oficinas, Tubarão e o telefone (48) 98868-1414. Por fim, a entrada é gratuita para todas as idades.

8 – Museu Ferroviário (Pires do Rio-GO)

Peças que permitiam o trabalho dos ferroviários da região são o destaque desse museu. Por exemplo: balanças, máquinas usadas para verificar passagens e até mesmo locomotivas da época. Ao mesmo tempo, o local também conta com uma coleção de fotos e vídeos que contam a história dos trens na cidade.

As visitas podem ocorrer sem nenhum pagamento na segunda, das 13h00 às 17h00, e de terça a sexta, das 8h00 às 11h00 e das 13h00 às 17h00. O endereço é Rua Francisco R. Naves – Centro, Pires do Rio. Para mais informações, ligue (64) 3461-7970.

9 – Museu do Trem (Recife-PE)

Localizado na antiga Estação Central Capiba, o museu do trem de Recife possui um acervo que demonstra como a passagem dos trens pela cidade impactou na cultura e economia. O prédio conta com locomotivas reais e documentos históricos.

Por fim, as visitas gratuitas podem ocorrer de terça a sexta-feira, das 10h00 às 16h00, e aos sábados e domingos, das 10h00 às 14h00. Os interessados devem comparecer a Rua Floriano Peixoto, s/n – São José, Recife.

10 – Museu Ferroviário (Curitiba-PR)

O Museu Ferroviário de Curitiba é localizado na antiga estação de trem na cidade. O ambiente foi preservado e conta com uma biblioteca com a arquivos de jornais e revistas que contam a história dos trens na cidade.

Os interessados devem visitar a Avenida Sete de Setembro, 2775 – Rebouças, em Curitiba, de segunda a quinta, das 10h00 às 22h00, às sextas e sábados, das 10h00 às 23h00 e aos domingos das, 11h00 às 22h00. O telefone para contato é (41) 3094-5344 e a entrada é gratuita.

Nota da redação

Museu ferroviário da RFFSA no Rio de Janeiro

Por Fernando Abelha

O Museu Ferroviário da RFFSA no Rio de Janeiro, com sua sede em frente à Estação do Engenho de Dentro, ao lado do estádio Nilton Santos (O Engenhão). foi esquecido nesta reportagem veiculada pelo jornal O Estado de São Paulo.

Nada a estranhar. Está inoperante, fechado, empoeirado, saqueado esquecido pelos governantes.

Com vexatório cartaz à sua porta:

Horário de Funcionamento.

Este local encerrou suas atividades permanentemente.

Lá se encontram, entre outras preciosidades, a locomotiva Baronesa, o carro do Imperador, Carro do Rei Alberto, carro varanda que atendia aos deslocamentos do presidente Getúlio Vargas em visita aos municípios do Estado do Rio, Espirito Santo e Minas Gerais, construído nas oficinas da Estrada de Ferro Leopoldina

Carro do Imperador

Inacreditável: abandonado, esquecido, saqueado. Verdadeiro crime de lesa-pátria, Um país que negligencia sua história corre o risco de repetir erros, ignorar o que construiu e se tornar um povo sem raízes e sem futuro. A história é fundamental para a construção da identidade nacional e para o desenvolvimento cultural. Nos permite compreender o presente e projetar o futuro.

Prefeito Eduardo Paes

Recentemente a Associação Aposentados e Pensionistas da RFFSA, através de seu presidente Manoel Geraldo, oficiou ao prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. No pleito solicita que o Museu Ferroviário seja transferido para Estação Barão de Mauá, localizada no bairro imperial de São Cristóvão, a 15 minutos do cento da cidade, hoje em reforma pelo Município. Nada mais lógico. Não obteve qualquer resposta.

PIONEIRISMO Viagem inaugural na estrada de ferro Rio-Petrópolis, em 1854: velocidade de 36 Km/h

Locomotiva Baronesa

IstoÉ – O Brasil tem uma incrível história ferroviária e deteve uma das dez maiores malhas do mundo, antes da extinção da RFFSA operava cerca de 30 mil quilômetros. Algumas estradas de ferro do País, como a Santos-Jundiaí e a Curitiba-Paranaguá são obras espetaculares de engenharia do século 19 que impressionam até hoje. Circularam por aqui também algumas poderosas máquinas a vapor construídas com a tecnologia mais avançada que havia no passado. Uma delas ­­­— a mais preciosa ­ — é a Baroneza, locomotiva fabricada na Inglaterra em 1852, há 170 anos, pela empresa William Fair Bairns & Sons, de Manchester. Quem a comprou foi o empresário Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, que a colocou para rodar dois anos depois, a partir da inauguração da Estrada de Ferro Petrópolis, a primeira do País, usada por Dom Pedro II. Por 30 anos, a locomotiva serviu o imperador. Agora, ela deveria estar brilhando no Museu do Trem do Engenho de Dentro, no Rio, que abriga um acervo magnífico herdado da antiga Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA). Mas o museu, instalado ao lado do Estádio do Engenhão, está abandonado e seus mais de mil itens jogados às traças e distantes do público.

O esquecimento da locomotiva, que recebeu o nome em homenagem à Maria Joaquina Machado de Souza, esposa do barão, mostra mais uma vez que, se tem história, o País não tem memória. A inauguração da ferrovia Rio-Petrópolis, em 1854, no trecho entre o Porto de Mauá e Fragoso, em Magé, com 14,5 quilômetros, é um marco da economia e uma revolução no transporte nacional. Na mesma ocasião, Dom Pedro II concedeu o título de barão a Evangelista de Souza. Com 7,5 metros de comprimento, 2,5 metros de largura e 17 toneladas de peso, a Baroneza corria sobre trilhos de bitola indiana e alcançava a altíssima velocidade de 36 Km/h. Além dela, o museu do trem, que abriga cerca de mil itens, esconde hoje outras relíquias, como o Carro Imperial, fabricado na Bélgica, em 1886, para servir a Dom Pedro II já no fim do seu reinado, o Carro do Rei Alberto, que fez parte de uma composição adaptada para atender o monarca belga quando ele veio ao Brasil em viagem oficial em 1922, e o Carro Presidencial, vagão usado por Getúlio Vargas em suas viagens pelo Brasil.

O museu está fechado desde maio de 2019 para visitantes e, segundo o Iphan, não há qualquer perspectiva de reabertura em um período próximo. A verdade é que a instituição, instalada no antigo galpão de pintura da antiga Estrada de Ferro Pedro I, corre o sério risco de desaparecer. Em 2013, ela chegou a ser selecionada para ser restaurada com verbas do PAC, mas o governo federal nunca repassou dinheiro ao Instituto. Para o historiador Bartolomeu Homem d’El-Rei Pinto, seu último diretor, o museu está na iminência de acabar, apesar do preciso acervo. “Não vislumbro qualquer interesse por parte dos governantes e gestores em preservar a memória histórica e patrimonial do País”, diz. “Para voltar a funcionar ele precisa de uma reforma geral. Foi gasta uma grandiosa quantia para que uma empresa fizesse um projeto de reforma que acabou ficando só no papel”. Em 2014, quando dirigia o museu, d’El-Rei Pinto já denunciava o abandono da instituição e sua falta de visibilidade para os turistas do Rio e de todo o Brasil. Agora, ele está quase certo de que o museu irá fechar por falta de mão-de-obra capacitada. Será um crime privar o público da história das ferrovias brasileiras e da visão da Baroneza, monumento cultural tombado pelo próprio Iphan.