Por Alex Medeiros

A propósito da notícia “Desgovernos do vale tudo…Ninguém responde pelo crime de lesa-pátria praticado contra as ferrovias e ferroviários da RFFSA” recebemos do leitor Alex Medeiros o comentário que segue:

– É revoltante! Fui ferroviário, admitido por concurso em 1978. Comecei como Auxiliar de Maquinista, anos depois passou a Maquinista Auxiliar. Convivi com muitos absurdos… Locomotivas sem manutenção adequada, muitas não podendo ser desligadas porque não dariam partida no motor. Com isso, as de manobras, de Auxílios em rampas e de Lastro tinham que permanecer ligadas, mesmo estacionadas sem serviços, gastando combustível, poluindo…

Desejoso de cursar ensino superior, aproveitei a transferência da sede da SR 3, do Rio de Janeiro para Juiz de Fora, solicitando que me incluíssem dentre os que se dispunham ao remanejamento de funções e locais de trabalho. Em fevereiro de 1983 iniciava minhas seções no Núcleo de Receita dos Transportes em Tráfego Mútuo e Partilha de Fretes. Chefiei o setor por 11 anos. Vi descalabros enormes, desde tarifa aquém do que cobrava a EFVM, furtos descarados de feijão que vinha do Sul para o Rio, baldeado em Carapicuiba/SP, da CFP-Companhia Financiamento da Produção. Emitíamos faturas, cobrando os fretes ao Banco do Brasil. Eram glosadas e o Banco ainda cobrava indenização por falta de mercadorias.

Em 1996 pedi desligamento no Plano de Demissão Voluntária. Não aguentava mais aquilo tudo… me tornei um militante pela causa do modal ferroviário. Fundei o Movimento Ferrovia Viva – https://www.facebook.com/share/1Ya7Hierjv/ em defesa e por propostas para a chamada Linha do Litoral(Vitória a Itaboraí), concedida à Ferrovia Centro-Atlântica – FCA. Através dele questionamos, propomos, discordamos, requeremos providências, denunciamos à ANTT, ao DNIT e ao IPHAN, manifestamos no MPF…

Lamentavelmente o trecho ferroviário que abraçamos, no Estado do Rio, entre Campos dos Goytacazes e Itaboraí, quase não tem mais trilhos(furtados). Por incrível que pareça também já furtaram pontilhões e estruturas completas de pontes. Prefeituras, como Campos e Macaé, principalmente, aterraram, asfaltaram e construíram sobre as faixas de domínio e não edificável, sem projetos consultados ao DNIT. A FCA, declaradamente, a partir de 2015, deixou de fazer manutenção (nem preventiva), com silêncio de TODAS AS “OTORIDADES”. O MPF se limita a aceitar as explicações prolixas da ANTT, e propõe arquivamento de nossas Manifestações. A ANTT é repetitiva, argumentando que a Concessionaria pagará multa por não manutenção. O DNIT tem solicitações nossas de mais de três anos sem respostas conclusivas. Há um projeto de nova Ferrovia para a ligação Vitória a Nova Iguaçu, que utilizará partes do trecho atual, “falado”, reunido, engavetado, ressuscitado… desde 2012. Até onde iremos? Ou não trilharemos mais?