Comentários de ALCIR ALVES DE SOUZA

Quantos amigos e colegas de trabalho já se foram. Alguns deles eram como se fossem irmãos, convivíamos, com suas respectivas famílias, laços estreitos de amizade, jamais esquecidos. O passar dos tempos, felizmente, nada mudou. O ferroviário nato, de um modo geral, tem essa essência. Orgulha-se de integrar uma classe extremamente unida, com tradição histórica. Houve tempo em que a estrada de ferro em que trabalhava, era como se fosse sua segunda casa. Um sentimento natural, por fazer parte do quadro da ferrovia que tanto admirava. Admito que vivi muitos desses momentos. Sou de uma família que se engrandecia de ter tido três filhos ferroviários. Um chefe de estação, um fiscal de tração e um fiscal de rendas (os dois últimos promovidos à função de supervisor). Orgulha-me o fato de que todos tiveram suas trajetórias reconhecidas pelas repartições às quais serviram. Embora, para muitos, o melhor é viver o HOJE, pensando no AMANHÃ, o que não discordo, apraz-me dizer que sou um saudosista, que gosto de viver reminiscências. Vale lembrar, pois, sem reportar a nomes, de figuras expressivas e relevantes, que integraram os quadros das antigas EFCB e EFL, e, também, da administração da RFFSA. Há que se reconhecer, que os engenheiros (alguns deles, ainda em plena atividade) foram profissionais importantes, nas duas ferrovias, nas funções de metodizar e fazer operar os seus respectivos sistemas de tráfego, sem desconsiderar, contudo, a importância de outros profissionais, como os economistas, os contadores e os advogados, que, juntos, também compunham a espinha dorsal das duas unidades operacionais. As fases áureas das duas estradas de ferro, quando ainda operavam, deveu-se muito aos trabalhadores ferroviários das vias permanentes, que com sol ou com chuva, bravamente, não relutavam em desempenhar suas árduas funções. Sem dúvida alguma, contribuíram muito, ainda que indiretamente, para o desenvolvimento e o crescimento econômico de ambas.

Alcir Alves de Souza

Ferroviário aposentado