Crônica de Sérgio Iacarino
A atávica e perversa distribuição intermodal de transportes no Brasil seria (e é) inexplicável sob o ponto de vista energético, econômico e ambiental. Ao pesquisar países no Mundo com dimensões continentais à semelhança do Brasil e apontados no artigo (Estados Unidos, Rússia, China e Canadá), se torna evidente que o transporte ferroviário é valorizado como deve por sua preponderância nas eficiências citadas (energética, econômica d ambiental)! A potencialização dessa ineficiência fica mais gritante, quando se inclui o transporte aquaviário, o qual junto ao modo ferroviário tem todas as vantagens, além da gigantesca costa marítima de nosso território.
Quando buscamos raizes para essa distorção, é possível relembrar de Washington Luiz ex-presidente brasileiro que tinha um lema de governo “Governar é abrir estradas”! Só que no caso a referência era restrita às estradas de rodagem, ou seja, rodovias. Por essa característica de visão distorcida e propagada ao longo do tempo, “desembarcamos” na atual distribuição intermodal de transportes, que privilegia o modo rodoviário (poluidor, intensificador de acidentes, portanto insustentável, em detrimento dos modos aquaviário e ferroviário. E percebam – que essa preferência política – ainda brindou com o nome de Washinton Luiz justamente a rodovia que une a capital do Rio de Janeiro à cidade imperial de Petrópolis, logo quem criou com Mauá a primeira ferrovia! Seria um prêmio ou um castigo?
Hoje em dia, palavras da moda como sustentabilidade e a trilogia ESG (“Environment”, Social e Governança”) circulam nos meios acadêmicos, empresariais e até políticos, mas em essência se negligência o fundamental: “Não é possível se falar em sustentabilidade, efetivando projetos insustentáveis!” É questão de vontade política a ressurgência e valorização das ferrovias como um modo de transporte que atende as exigências de economicidade energética, econômica e ambiental! Simples assim! Mas quem vai aceitar o desafio? Ou como se diz no popular “se vai pendurar as chuteiras” prematuramente”? Ou se vai encarar o jogo como ainda em andamento? Apostas na ferrovia sempre darão frutos e aí sim o discurso da sustentabilidade terá um cenário verdadeiro e condizente com as expectativas e necessidades do Brasil.
