Jornal Nacional – Uma obra que levou 36 anos para ficar pronta entrou totalmente em operação, e vai melhorar o transporte de cargas no Brasil. A buzina, ouvida de longe, atrai olhares curiosos e cheios de entusiasmo. “Registrar, porque a gente nunca tinha visto, né?”, diz uma mulher que levou os filhos para ver o trem passar. “Eu falava que não ia alcançar esse negócio quando começou. Mas agora eu acreditei, que eu vi”, conta o aposentado Manuel Paulo de Oliveira.
Depois de 36 anos, erros técnicos, mudança de traçado, escândalos de corrupção e muitas inaugurações parciais, a obra Norte-Sul foi concluída ano passado. A ferrovia tem quase 2.300 quilômetros de extensão e foi dividida em duas partes. A primeira, pronta desde 2010, vai de Palmas, no Tocantins, a Açailândia, no Maranhão, com um custo de R$ 2,6 bilhões. Já o trecho de Estrela do Oeste, em São Paulo, ao Tocantins custou cerca de R$ 11 bilhões.A ferrovia foi finalizada em 2023, depois que a concessionária Rumo venceu o leilão e assumiu o lote em 2019.
Woodson Baltazar Silva, maquinista de 33 anos, nem era nascido quando a obra começou: “Estou muito feliz de ser o primeiro aqui, nessa inauguração que é esperada por todo mundo. O coração tá batendo forte”. É com ele que o Jornal Nacional embarcou no primeiro trem a percorrer o trecho goiano da ferrovia, com cerca de 280 km, o último a ficar pronto. Por isso, a viagem marca a interligação completa por trilhos entre quatro das cinco regiões brasileiras.
A operação foi em caráter de comissionamento, autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres. Isso significa que os trens podem rodar em velocidade reduzida. A composição com 112 containers saiu de Cubatão, em São Paulo, na malha paulista, seguiu desbravando o centro do país – de paisagem plana, vegetação de Cerrado, pastos e áreas de lavoura -, levando defensivos agrícolas, algodão e peças importadas para fabricação de carros. O destino dessa primeira viagem foi o Porto Seco, de Anápolis, que passou por uma grande adaptação no último ano para abrigar um terminal de contêineres.
“É muito simbólica a passagem do primeiro trem sobre esses trilhos. Promove uma integração do país, com fluxos nos dois sentidos, tanto da cadeia agropecuária como da cadeia industrial, mas também conecta o interior do Brasil ao mundo”, afirmou Guilherme Penin, vice-presidente de expansão da Rumo.
Uma locomotiva com 80 vagões pode substituir 170 carretas e fazer viagens longas. Ares de modernidade para um projeto tão antigo.
