Desde o fim de março, o metrô de Xangai determina que os passageiros escaneiem um QR code na janela dos trens ao embarcar. Isso permitirá saber quem compartilhou o mesmo vagão em cada viagem.

Se um deles receber o diagnóstico do novo coronavírus posteriormente, é possível enviar alertas e ordenar quarentena a todos os outros que estiveram naquele vagão no mesmo momento

A experiência de Xangai mostra que o transporte público após a pandemia poderá se tornar menos anônimo. Hoje já é possível saber em detalhes quantas viagens de apps como Uber cada pessoa fez, aonde foi e em que carro, mas as viagens de ônibus e metrô costumavam garantir mais discrição -embora algumas cidades usem câmeras de reconhecimento facial nas estações.

Essa nova realidade abre caminho para que governos e empresas de transporte façam testes amplos com tecnologias que já existiam, mas eram usadas apenas em pequena escala.

É possível compará-las a situações como trabalho 100% remoto ou compras de supermercado por aplicativos: muita gente aderiu a elas da noite pro dia, mas ainda não se sabe se essas novas práticas vieram para ficar.

A crise reduziu severamente o uso dos transportes. Em Madri, a queda nas viagens chegou a 88%. No Brasil, ficou em torno de 60%.

Se, após a pandemia, mais empresas adotarem o home office como rotina, o setor seguirá perdendo passageiros, uma tendência em muitos países nos últimos anos. E, com menos clientes, as contas ficarão ainda mais apertadas.

Fonte: Folha de São Paulo, Internet, Revista Ferroviária