Pesquisa e edição: jornalista Luis Fernando Salles

Após seguidos planos que empacaram nas últimas décadas para conectar cidades do interior à capital paulista por linhas de trens, o governo de SP prevê retomar essa antiga promessa de seguidos governos paulistas. O primeiro passo deverá ser a interligação das cidades de Americana, Campinas e São José dos Campos a São Paulo, com o projeto TIC (Trem Intercidades).

O governo paulista recebeu técnicos do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento com propostas para tirar o projeto do papel. Só nos últimos 15 anos, já foram apresentados quatro projetos do tipo, incluindo um do governo federal. Sem estudos aprofundados e garantias de financiamento, os planos nunca avançaram.

Até agora, o trecho mais divulgado é o que ligará Americana à São Paulo, passando por Campinas e Jundiaí, num trajeto de 135 quilômetros e nove estações ferroviárias. Inicialmente, prevê-se o transporte de 68 mil passageiros por dia. Ele deverá operar junto com a linha 7-Rubi da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) -que já vai até Jundiaí.

A obra que vem sendo anunciada começou a ser estudada em 2013. O projeto original visava usar as áreas já desapropriadas ao lado das linhas de trens existentes e construir novos trilhos específicos para o transporte de passageiros em média distância, o que permitiria velocidades maiores dos trens. Para isso, o governo paulista precisaria negociar o aval do governo federal, que concedeu parte das linhas nesse trajeto ao transporte de cargas.

A ideia era bancar a obra também por meio de uma PPP, com aporte de recurso estadual e também da iniciativa privada. Em 2013, a previsão era de que só para ligar Americana a São Paulo custaria R$ 7,4 bilhões, dos quais R$ 3,8 bilhão deveria ser investido pelo estado (em valores corrigidos pela inflação).

O governo do estado logo pensou em conceder a linha 7-rubi da CPTM (que liga a estação da Luz a Jundiaí) dentro do contrato desta PPP. O pacote faria o projeto mais atrativo à iniciativa privada.

Com a crise econômica e fiscal dos estados, porém, o modelo de parceria público privada se tornou cada vez mais inviável. Por isso, novas versões do TIC preveem o modelo de concessões à iniciativa privada e um enxugamento dos investimentos a serem feitos.

O que tem se falado desde então é que o governo do estado deverá conceder serviços de transporte de passageiros nas mesmas linhas que hoje são utilizados pela CPTM e pelo transporte de cargas. Isso exigirá negociação com as concessionárias do transporte de carga e o governo federal.

Parte do setor ferroviário vê essa alternativa como a única possível para que o projeto fique de pé, ainda que com velocidades menores das previstas inicialmente.

Fonte: Folha de São Paulo