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Por Genésio Pereira dos Santos

A Federação Nacional de Trabalhadores Ferroviários-FNTF congrega razoável número de sindicatos, óbvio, da classe ferroviária, defensora dos direitos, que tem como filiados   centenas de  empregados ativos, milhares de ferroviários aposentados e de pensionistas. A entidade está deveras decepcionada com a negativa do pedido de reajuste salarial, que nos Acordos de 2017/18 e 2018/19, transfigurados em Dissídios, sem, a rigor, uma forte  decisão plausível, na minha ótica, em favor da classe.

Segundo informação da assessoria da FNTF, a parte governamental se nega a conceder o reajuste do pedido de 2017/18, pois alega ter que pagar cerca de 14 meses de atrasados.

Numa atitude de ponderação e visando a equacionar o impasse, o presidente da FNTF propôs aos “ex-adversos” reajustar o período de 2018/19, dispensando, num primeiro momento, a contragosto, esses meses, desde que o percentual seja de 5,07%, tal qual o concedido aos assistidos da Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social-REFER, pagando-se o novo valor, a contar de maio/19.

A data-base de reajuste salarial dos trabalhadores em ferrovias, que fizeram e fazem o trem circular (andar), é o mês de maio. Desde 2017, que, nesses dois anos,  milhares de integrantes da classe que não recebem um centavo de “aumento;” em contrapartida, o custo de vida sobe mês a mês. Decorreram, até então, 24 meses, sem nada, nada.

Com o advento da Lei nº 11.483/2007, os ferroviários  da ativa (VAlEC/370), permaneceram no então, Ministério dos Transportes;  os aposentados e pensionistas foram lotados no então Ministério do Planejamento. Ambos, hoje, sob a nomenclatura de Secretarias, que integram o recém- criado Ministério da Infraestrutura, no governo do presidente, Jair Bolsonaro. Preliminarmente, quando  “dos entões: Ministérios do Transportes/Planejamento” e  agora, para a classe, não se sabe quem é quem, e continua uma   perda considerável.

A estatal VALEC tem sido partícipe, institucionalmente, nos Acordos e Dissídios, nas discussões e negociações dos Acordos, e ofereceu, num primeiro momento, 0,6%, em 2018. No de 2019, o absurdo continua e, recentemente, foi batido o martelo ofertando o elevado percentual de ZERO 0%.

Os ferroviários são faquires; não comem, nem bebem, não ficam doentes, não têm filhos na escola, não pagam as contas, planos de saúde, não pagam transportes (ficam exilados em suas casas), enfim, não têm suas necessidades primárias em geral atendidas.

Os ferroviários são egressos do antiquíssimo Ministério de Viação e Obras Públicas- MVOP, sendo  sucedido  pelo Ministério dos Transportes (governo militar). “Aos trancos e barrancos,” os ferroviários eram reconhecidos como integrantes de uma grande classe trabalhadora, que tem até hoje dirigentes que levam a “coisa a sério;” em contrapartida, do outro lado, tem gente, diria, brincando de entender de estômago desses abnegados, que têm um passado respeitado.

A informação que me passaram é a de que o Ministro da Infraestrutura tem, em suas tratativas o respeito pelo pleito das reivindicações da classe S. Excia. mostra-se simpático compreendendo a amarga situação econômico-social desses milhares de ferroviários e pensionistas, que não têm  a  quem socorrer-se, ganhando aquém do poder aquisitivo digno, para a mantença de seus dependentes.

Tudo bem, mas a VALEC ofereceu o percentual de 0%; é abominável sob todos os pontos de vista. Um número considerável de ferroviários, por questões óbvias, quando de seus desligamentos, não pode continuar contribuindo para a Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social – REFER, que, em maio/19, concedeu a seus assistidos, um reajuste de 5,07%, obedecendo ao índice da espécie, frise-se.

Índice por índice, a VALEC poderia aquiescer e, também chegar ao mesmo percentual, tendo-se em conta que os ferroviários estão à beira do abismo social. Sabe-se que a Fundação está em outro polo.

Os empregados ativos da VALEC, em matéria de salários, estão bem na fita,  contrário senso dos aposentados e pensionistas/RFFSA. Os “valeciários” estão numa boa.  Classifico-os como valeciários, pois não sei qual seria a denominação deles. Ferroviários eles não são. Se o fossem, teriam outro comportamento em relação aos seus coirmãos das demais subsidiarias da extinta  empresa-mãe /RFFSA! “O sempre, é agora.

Sabe-se  lá quando a classe se livrará desse martírio sem reajuste e estará fortificada pela intercessão do governo do presidente Messias, que,  se veio para veio edificar os postulados dos menos favorecidos e desamparados, socialmente, segundo as suas promessas de campanha.

Genésio Pereira dos Santos/Advogado/Jornalista/Escritor.