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O saudoso Betinho, grande socialista, aparece “in memoriam”, em vários flashes na TV declinando que existe uma forma de fazer a história e outra de contar a história, que pode ser de pessoas, povos, nações que dela são partes, “no tempo e no espaço” (meu jargão). O título acima: “Trem fez e fará bem pra todo mundo” amealha o que está sendo o modo ferroviário há 165 anos.

Todos, ou quase todos os 208 milhões de brasileiros, conhecem, sabem que a primeira ferrovia no Brasil nasceu em 30 de abril de 1854, a Imperial Companhia de Navegação a Vapor – Estrada de Ferro Petrópolis, que, tempos depois, passou a ser conhecida como Estada de Ferro Mauá, portanto, há 165 anos, façanha essa que teve como empreendedor Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá (Visconde de Mauá).

Durante os 40 anos de trabalho, aprendi muito sobre transporte por sobre trilhos e, como ferroviário aposentado da ex-RFFSA, há 30 anos, continuo acreditando no modo ferroviário, como solução viável e inteligente para o Brasil atingir o desenvolvimento sustentável e continuado, para o equilíbrio de nossa fragilizada economia.

Tenho esperança de que, se se seguir o rumo ao norte, a coisa vai melhorar, substancialmente. Assistindo a um programa na Globonews (28-03-19), vi e ouvi a entrevista do Ministro de Infraestrutura (fusão dos de Planejamento, Transportes e outros órgãos), Tarcísio de Freitas, momentos antes do leilão, para prosseguimento das obras da Ferrovia Norte-Sul; o trecho arrematado é do Porto (Nacional-TO), até Estrela D’Oeste-SP), seguindo o tronco central, via que liga o interior de São Paulo ao Porto de Santos, tendo S. Excia. declarado que chegou um novo momento para as ferrovias no Brasil.

Sr. Ministro, para a grande massa de trabalhadores, o novo momento só acontecerá, quando no País estiver circulando trem de passageiro, em toda a extensão territorial, ou seja, de Norte a Sul, de Leste a Oeste.

Já ouvi vários depoimentos iguais de sucessivos governos, com promessas vãs sobre o transporte ferroviário, espinha dorsal para a economia de combustível, já que a circulação de milhões de toneladas de cargas tem sido, criminosamente, por sobre pneus.

Hoje, tudo ou quase tudo se assenta na figura da logística pra cá, logística pra lá. Em cima ou através dela, o Ministro está apostando na construção de novas ferrovias e na revitalização de antigos e desativados trechos de linhas, por estes Brasil afora. Espera-se que o governo Bolsonaro, a partir dos 100 dias, trafegue com a “licença no arco” (termo ferroviário, quando o trem passa direto por uma estação, sem parada e segue até a seguinte). Alguns atrasos neste início fazem com que o presidente, maquinista-mor, administre o País, com a licença no arco, senão…

No leilão da Norte-Sul, estiveram governadores, ministros, deputados federais e estaduais interessados diretamente no negócio, e a vencedora foi a empresa “RUMO,” que fez a melhor oferta para o governo e, via de consequência, para o País, num primeiro momento.

Na Globonews, os debatedores, André Trigueiros e Octávio Guedes alertaram que, se bem-sucedida a empreitada, ter-se-á que observar a situação dos carreteiros e caminhoneiros, que investiram muito na aquisição de novos veículos, para atender à demanda de transporte a longa distância, por rodovias que deixam a desejar.

Falaram também na necessidade de as ferrovias construídas e as futuras, quando da demanda do transporte de passageiros pelos quadrantes do Brasil, tal qual outrora, diminuirão o transporte sobre pneus. Citaram os trens de aço: Vera Cruz, entre Rio-São Paulo; e Santa Cruz, entre Rio-B. Horizonte, u’a maravilha, digo eu, poderão numa outra versão voltar a circular, quem sabe?

Deve ser motivo de preocupação e ação ministerial a mobilidade urbana, que precisa figurar como ícone na política de logística, tão badalada pelo Sr. Tarcísio de Freitas, em suas manifestações como titular da área de Infraestrutura.

Esperamos, sinceramente, que a “Rumo” dê novos rumos ao transporte por sobre trilhos da carga geral, fazendo coexistir com os trens de passageiros, a “carga que tem alma, ” que transporta gente, não se esquecendo de que trem fez e fará bem pra todo mundo.

Sr. Ministro, o Brasil precisa de ferrovias como o sangue de oxigênio, urgentemente.

Genésio Pereira dos Santos/Advogado/Jornalista/Escritor