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Lá se foram os anos em que eu ia à sede do JB, na av. Rio Branco, 110 para entregar ao chefe da redação meus modestos artigos, que eram publicados, para minha honra e incomensurável satisfação em vê-los nas colunas do maior matutino do Rio. Passado esse longo tempo, continuo rabiscando matérias, que estão sendo acolhidas pelo grande Jornal. Preteritamente, comparecia à sala do Boechat, que me recebia e incentivava a continuar a escrever temas políticos e seguir na trilha do jornalismo. Passados todos esses anos, sinto a honra continuada, pois o JB de hoje, acolhe minhas matérias.

Não menos acolhedor era o contato com Márcia Peltier, uma mulher bonita, simpática e famosa, que descia de seu pedestal e me prestigiava sobremaneira. Bons tempos!

Este preâmbulo é para juntar a minha voz e depoimentos aos de tantas personalidades do mundo da política, da TV, do rádio, do jornalismo, da comunicação moderna. Boechat era destemido, desassombrado, humano e tratava todo mundo com distinção, sem qualquer postura de superioridade. Ele era o Pelé, o Neymar e tantos outros ídolos que incorporava; figuras maiúsculas do mundo político-econômico-social. O cara!

Ele brincava com as palavras, com o rico vocabulário, que empolgava os ouvintes e telespectadores pelas manhãs e à noite. Ele foi referência e, dificilmente, em pouco tempo, teremos alguém igual a ele.

O Brasil perdeu um dos maiores comunicadores da atualidade, que reunia milhões em torno de seus salgados comentários, principalmente quando se referia à corrupção que assola a sociedade brasileira. Era respeitado pela eloqüência e rica verborosidade inigualável, língua afiada.

Neste início de 2019, a população se surpreende com tragédias e mais tragédias dolorosas e a do Boechat, da forma em que aconteceu o seu desaparecimento, foi uma tragédia solo, mais o piloto, o que causou grande consternação nacional.

Tomando-se o contato pretérito, somando-se a visualização diária com a sua presença na TV e a audição radiofônica, ele era parceiro e, por isto, sentimos muito a sua morte e  ainda não caiu a ficha, imaginando-se que, a qualquer instante, ele estará no ar, a nossa frente.

Descanse em paz nosso “âncora-mor;” estamos “profundamente” consternados.  Adeus, Mestre dos Mestres!

Genésio Pereira dos Santos/Advogado/Jornalista/Escritor.