Pesquisa e edição por Fernando Abelha

A conclusão da Ferrovia Transnordestina requer investimentos adicionais de R$ 6,7 bilhões e não sai antes de 2027. Uma das maiores obras inacabadas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), vitrine das administrações petistas, ela deve ficar pronta só 17 anos depois do prazo original e com uma década de atraso sobre o cronograma fixado na última renegociação contratual.

O diagnóstico foi apresentado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), controladora da Transnordestina, ao governo e à comissão especial da Câmara dos Deputados que segue o empreendimento. A empresa entregou um orçamento atualizado das obras, novos estudos de demanda e projetos executivos de engenharia para trechos da ferrovia.

Até agora, segundo a concessionária Transnordestina Logística (TLSA), já foram gastos R$ 6,4 bilhões e as obras têm 52% de avanço físico. Após seguidos adiamentos, um acordo entre a concessionária e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a ferrovia de 1.753 quilômetros ficou com orçamento total de R$ 13 bilhões.

As obras estão interrompidas desde o início do ano passado, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a suspensão completa de repasses do governo, por meio da estatal Valec ou dos fundos oficiais que financiam a construção da ferrovia.

De fato, um grupo interministerial que estudava a Transnordestina encerrou seus trabalhos com a conclusão de que ela continua sendo viável, mas precisa de novos investidores privados e deve chegar a um grande porto para servir como destino de escoamento de produtos voltados à exportação. Pensamos em um negócio integrado de mina, ferrovia e porto, comentou Mello.

A entrada em operação do primeiro trecho do empreendimento, segundo ele, viabiliza a saída do minério produzido no Piauí – com alto teor – por terminais no Ceará. O grupo de trabalho conduzido pelo governo estima que a partir de 2022, quando estiver em funcionamento, a ferrovia poderá gerar receita anual em torno de R$ 800 milhões. Com isso, teria fluxo de caixa para avançar nos demais trechos da obra.

Começando a operar, teremos receita própria. E a concessionária sai desse ambiente de desconfiança em que está, disse o presidente da Transnordestina.

De acordo com Mello, mesmo sem ter efeitos imediatos, o governo atual pretendia endossar uma declaração de intenções sobre o novo plano para a Transnordestina. Eles ficaram desconfortáveis em assinar alguma coisa sem o consentimento da equipe de transição, disse. Na prática, contudo, a retomada depende de aval da ANTT e do TCU.

Fontes: Revista Ferroviária, Valor Econômico, Internet.