Por Genésio Pereira dos Santos

Advogado/Jornalista/Escritor

Construção de novas malhas ferroviárias, ao que tudo indica para tal teremos que presenciar a ressurreição do pioneiro, Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá (elevado a Visconde), recentemente, que, em 1854, fez circular, por conta própria, a primeira composição ferroviária, entre as localidades de Guia de Pacobaíba e Fragoso 30 de abril daquele ano, surgindo, assim, ao longo de 164 anos, inúmeras Estradas de Ferro, até 1957, que deram origem à criação da Rede Ferroviária Federal S.A.-RFFSA, extinta em 2007, infelizmente.

Os trilhos, que já atingiram cerca de 38 mil km de linhas de bitolas métrica e larga e temos 18 mil/km (corredores de exportação), dos 28 mil/km concedidos às atuais concessionárias de extensão de trechos, acrescentam as suas vantagens por estes Brasis afora, mas, atualmente, não preocupam as “otoridades” constituídas deste País-continente.

Técnicos ferroviários e as diversas entidades da classe, há anos, vêm elaborando projetos, propostas, realizando dezenas de encontros, seminários, congressos para discutir o angustiante problema dos modos de transportes, pois, sem a integração e sincronismo, não chegaremos nunca à tão necessária e urgente mobilidade urbana.

Quando seria possível restabelecer-se a normalidade nesse setor, conjugando-se os esforços necessários?

Admite-se, num fio de esperança, que o novo governo que terá início a partir de janeiro de 2019 esteja preocupado em dar prioridade ao trem, assumindo os encargos e, em boa e oportuna hora, se anime a despertar os adormecidos do problema e que venham surgir ferrovias, ferrovias, como solução dos transportes integrados para unir o Brasil.

Efetivamente, trata-se de um modo que deixa nossa capacidade de transporte atrasada muitas décadas, “no tempo e no espaço” (meu jargão). Em verdade, em verdade, não dá pra esperar por mais tempo, sob pena de uma desarmonia total e de conseqüências imprevisíveis, economicamente.

A volta do Brasil aos trilhos não é uma questão de simpatia simplesmente, é uma necessidade social, num primeiro momento. Algo mais fala mais alto.

Não se pode ficar na retaguarda, sigamos o exemplo de outros países desenvolvidos; reativar o transporte de passageiros e/ou como alternativa turística é um imperativo econômico, pois o País tem de sair desse casulo, imbróglio, desse marasmo por falta de visão do amanhã. Lá atrás, o Visconde de Mauá deu o exemplo de empreendedor para os dias atuais.

Governadores e prefeitos, paralelamente aos outros ícones, devem discutir propostas, alternativas e participações de construções de linhas férreas e que possam estimular o desenvolvimento de região. Este é um pleito de todos e não tão somente do governo central. A preocupação maior é discutir-se que uso será dado às faixas que possuem, transferidas por alguma concessionária da União (ex-RFFSA), de alguns quilômetros que estão sendo devolvidos.

As autoridades em geral devem estimular a novas reuniões, a fim de que se procedam os entendimentos de estilo no sentido de porem mãos à obra o quanto antes. Os técnicos precisam e têm que varrer pra dentro, pois, ferrovias, ferrovias, eis a solução que somente virá se todos estiverem empenhados na conquista do mesmo objetivo comum, o Brasil.

O JB, em seu editorial de domingo, dia 25/11/18, de forma lúcida, desde o seu ressurgimento, a partir do início deste ano, não tem regateado apoio e hasteia, em suas colunas, a bandeira por novas construções de ferrovias. Nele, inúmeros articulistas também abordam o tema com conhecimento de causa, tendo-se em conta o que representa o modo ferroviário para o País.

Entendemos que o princípio constitucional de independência e harmonia entre os Três Poderes é perfeitamente aplicável ao sistema viário nacional. Os diversos modos operacionais de transportes são possíveis entre si, ou seja, com harmonia, independência e integração para tornar o Brasil maior, com economia considerável de combustível e a conquista da mobilidade urbana.

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