Por Genésio Pereira dos Santos

Ferroviário/Advogado/Jornalista/Escritor

O senador Cristovam Buarque, em artigo na página 17, em O Globo escreve sobre “A locomotiva e o trilho”, publicado em 14-04-18, sobre o qual faço gancho, relativamente a sua manifestação político-ideológica, referindo-se à autodenominada esquerda, diria, nacional, abordando o amarradiço de ideias superadas pela realidade, e fico defensor de interesses arraigados em setores privilegiados, aos capitalistas mais aos trabalhadores. Ali, um plus de variáveis tem a sua tratativa.

Na correnteza, registro que estamos completando, em 2018, 164 anos de ferrovias no Brasil, que foram e são o mote, o motivo de desenvolvimento e maior fonte de inspiração para a cultura de diversos matizes, envolvendo poetas, escritores, músicos e propiciaram peças teatrais e diversos filmes. Parlamentares usam e abusam do tema: locomotiva e trilhos, para comentários, como é o caso do senador.

Desde a década de 90, poucos são os que defendem o modo ferroviário como deveria ser defendido pelo que representa para o País. Defender, não somente as ideias, mas também e, principalmente, a realidade da volta dos trens de passageiros aos trilhos, que demarcaria o desenvolvimento social (mobilidade urbana), numa coexistência com a carga, esta, no tocante ao lado econômico e turístico. Ao Estado cabe definir, sem demora, a construção de ferrovias, por estes trechos desativados afora.

Diz o senador: “Ao Estado cabe estabelecer regras e fazer investimentos que permitam estabelecer política jurídica; a construção de um sistema educacional que ofereça o máximo de aproveitamento de todos os cérebros da população e garanta a mesma chance para o indivíduo desenvolver seu talento pessoal”… Fico até aqui no parágrafo sobre o ensino. Trasladando-se a ideia do parlamentar e nela ancorando-me, digo: É preciso reunir em uma política de transportes, no sistema viário brasileiro de verdade, o modo ferroviário com investimento e proporcionar um up grade na mobilidade urbana, a fim de que voltemos ao “status quo” de antes e saiamos deste casulo, desta política “de uma nota só”, praticamente, o modo rodoviário, a coqueluche dos lobbies do Congresso Nacional. “É mentira Terta?”

Se a sociedade brasileira tem hoje a preocupação de que os partidos, que se dizem defensores de nossa economia não têm o compromisso moral de governar com ética e com ideias de País e de Nação, propriamente ditas, eles desdenham as condições para os trens de passageiros, todavia, devem se ater ao que ainda existe de preservação ferroviária e devem investir nas ferrovias reabrindo as estações, pelo menos, para as atividades culturais, para sempre invocar-se, como o senador, a locomotiva e o trilho nos seus e meus artigos.

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