Comentários de Fernando Abelha

Edição do jornalista Luis Fernando Salles

O descalabro de matéria publicada no jornal Valor Econômico, do último dia 20 de fevereiro, pela qual o Secretário de Gestão de Pessoas  do Ministério do Planejamento, Augusto Akira Chiba, em entrevista, faz comentários despropositados relacionados aos ferroviários da RFFSA, demonstrando total desconhecimento da situação jurídica dos ferroviários, ao confundi-los, inclusive, com funcionários públicos, entre outros despropósitos, mereceu imediata e contundente resposta da diretoria da Associação dos Engenheiros Ferroviários – AENFER que deixa claro o total desconhecimento do Departamento de Órgãos Extintos – DEPEX, daquele Ministério, que continuadamente vem negando os direitos dos ferroviários que se aposentam.

É de se enaltecer a atitude da diretoria da AENFER, entidade de classe dos engenheiros ferroviários no Rio de Janeiro que, de imediato, procedeu a devida e brilhante resposta. Atitudes desse nível são as únicas que se espera dos órgãos de classe representativos dos nossos direitos e valores. Basta termos que engolir “sapos”.No LINK abaixo o leitor poderá tomar conhecimento da absurda matéria difundida pelo Ministério do Planejamento. Logo a seguir está a brilhante resposta da AENFER.

Clique aqui:  Reportagem do Valor Econômico

 

Resposta à Matéria Publicada no Valor Econômico de 20/02/2018, Sobre Desembolso com Órgãos Extintos e a RFFSA 

Ao Editor do jornal Valor Econômico

Prezado Senhor,

Fazemos referência a publicação desse Jornal na sua página A12, terça-feira, 20/02/2018 Especial, que teve como fonte, informações oriundas do Ministério do Planejamento – DEPEX, que intencionalmente ou por incompetência da origem, levaram a edição da matéria, que é, no mínimo, maldosa e despropositada.

Ecoa um tanto estranho, que um órgão que se diz especialista e gestor das vidas de milhares de pessoas, cometa equívocos primários, como, por exemplo, o que abaixo destacamos:

“A matéria cita que o Poder Executivo desembolsou R$ 11 bilhões para pagar 634.157 servidores públicos, uma média de R$ 17.558,74 / servidor. No caso da RFFSA, a folha dos aposentados e pensionistas (todos regidos pela CLT) é de R$ 143 milhões (e não os R$ 153 milhões citados) para um total de 57.734 ferroviários, média salarial de R$ 2.483,77 (8 vezes menor que os 634 mil servidores públicos), COM ENCARGOS INCLUÍDOS!!! Destaca-se que todos os 57.734 contribuíram para o INSS ao longo de suas vidas laborais”.

Ora senhores! Num momento em que a mídia vem dando ênfase à questão previdenciária do serviço público nas três esferas parece-nos que procuram produzir uma “cortina de fumaça” para suas mazelas e com dados distorcidos, colocando a classe ferroviária como a causadora de todos os males do País, necessitando ser exterminada, quando, na verdade, somos grandes vítimas do desastrado, malconduzido, para ficar por aqui, processo de desestatização. Não nos calarão de continuar a denunciar, como vimos fazendo.

A Rede Ferroviária Federal -RFFSA, ao ser desestatizada era uma mega empresa, quer a título de patrimônio, pois detinha mais de R$ 20 bilhões em moeda de 1996, quer a título de quilômetros de linhas, com mais de 25.0000, de grande quantidade de vagões e locomotivas, com abrangência nacional. Era a maior empresa do Brasil, maior inclusive que a Petrobrás.

O processo de desestatização foi mal concebido, com uma modelagem inadequada, pois em menos de dois anos toda a malha havia sido entregue, sem que todos os levantamentos estivessem concluídos, e antes mesmo da Agência Regulatória ser implantada, o que se deu muitos anos depois, e daí querer responsabilizar e punir uma classe por dificuldades advindas do canhestro processo de desestatização conduzido integralmente pelo Governo Federal é, no mínimo, uma covardia. 

Destacamos que após a privatização da RFFSA, os operadores ferroviários deixaram de atender aos ramais deficitários e clientes que não se mostravam atraentes economicamente. Esses transportes passaram a ser efetuados pelas rodovias, crescendo o desembolso com a sua manutenção e/ou contribuindo para a deterioração de nossas malhas rodoviárias, com isso extinguindo o modo ferroviário do País.

A matéria cita que os empregados foram cedidos à VALEC, quando na realidade foram alocados naquela Empresa, em quadro especial conforme a Lei 11.483/07, de 31/05/2007. Então, cabe registrar que a VALEC remunera seus empregados (do seu quadro próprio) com salários superiores em 200% aos oriundos da RFFSA.

Finalizando, permitimo-nos colocar que os empregados da extinta RFFSA detém enorme conhecimento ferroviário, sendo um absoluto prejuízo para o País desprezar essa mão de obra extremamente qualificada. Outra questão é a forma como foi conduzido todo seu processo de liquidação e extinção, além da esdrúxula Medida Provisória 752 de 2016, esta sim que traz um grandioso prejuízo à Nação e pouco se fala sobre ela.

Achamos absolutamente lamentável a maldosa e pouco embasada a matéria que só presta informações que não expressam a realidade dos fatos. Detalhes de um Brasil que se verifica desastroso e inaceitável!

 A Diretoria da Associação de Engenheiros Ferroviários – Aenfer