Comentários de Fernando Abelha
É significativo o número de mensagens dos ferroviários anistiados que dizem estar, de há muito, sem receber qualquer melhoria salarial, quando os demais ferroviários têm reajustados os seus vencimentos. Solicitamos sempre maiores informações para que possamos gerar uma matéria mais completa. Temos orientado aos que nos escrevem que procurem os seus sindicatos e ou associações de aposentados e outras a fim de obterem alguma orientação.
Neste momento difícil para os ferroviários é fundamental a classe prestigiar os sindicatos e associações de classe, procurando na medida do possível, se associar para que consigam também subsistir, de vez que com a Reforma Trabalhista, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional, a situação financeira dos Sindicatos, Federações e Confederações tornarsse-a muito difícil, sem o imposto sindical que era cobrado, uma vez ao ano, compulsivamente, de todos os trabalhadores em atividade. Poucos serão os sindicatos que conseguirão ficar de pé. É o que os profissionais da área sindical temem.
Sobre essa denúncia dos ferroviários anistiados o blog recebeu comentário do leitor José Marinho, ferroviário anistiado, que desenvolveu as seguintes apreciações:
” O descaso é geral quando se fala nos demitidos do plano Collor. Além de sofrermos um golpe covarde por parte do governo naquela ocasião, fomos logrados em todos os níveis da administração ferroviária…Uma lei capenga (8 878) nos devolveu depois de quase 20 anos nosso emprego em outros órgãos, mas sem correção salarial, sem seguridade e sem a possibilidade de reaver o que nos foi roubado. Até hoje somos subtraídos nos nossos direitos e não temos a quem recorrer. Fomos vítimas de uma covardia e continuamos sendo.
É muito bonito fazer uma firula enorme, com lantejoulas e alto brilho, mas isso só serve para que não se olhe para trás e se conheça a verdade. Como já disse, fomos e continuamos sendo vítimas de administradores corruptos os, mesmo que vivam às nossas custas, desprezam quem lhes sustenta.
Fui e sempre serei ferroviário. Hoje trabalho no MPT, mas sou o saco de pancada porque, sofro bulling por não ser do quadro na instituição, porque meu salário é menor e não tenho um “carrão”, subestimado não ter sido reconhecido a evolução técnica no momento da reintegração, enfim, tratado como cachorro, tanto é que estou acreditando mesmo que sou um.
Todos os anistiados tiveram em seus órgãos de origem o máximo apoio ao retornarem, menos os ferroviários. Será por maldade? ou incapacidade de assumir que foram cumplices nesse crime.
Quando enviamos correspondência, nem respostas temos, tamanho o descaso. Todos os que participaram desse crime, estão cheios de dinheiro e “status”, mas as vítimas, bem, essas que se danem.
Quando leio” em defesa dos ferroviários”, ingenuamente tento acreditar que os irmãos que foram vítimas do plano Collor estão incluídos nesse contexto, mas sempre caio na realidade e percebo que tudo é ilusão. Já não fazem mais homens como antigamente, ou seja, com vergonha na cara.
Aos olhos da maioria parece que está tudo bem, mas quem vive essa realidade escabrosa sabe que não é assim. A dor é silenciosa, mas mata. Colocaram um rótulo de “em extinção” para justificar um crime e continuam na mesma prática quando jogam para o esquecimento aqueles que construíram aquilo que hoje serve para o deleite de egos criminosos.
A parte mais cruel é a certeza da continuação do alvitre, mas com 63 anos, não tenho mais medo de dizer o que penso, então insisto em dizer que é duro viver num pais onde falar a verdade é crime e roubar é cultura.”
