MARCELO TOLEDO
DE RIBEIRÃO PRETO

Uma decisão judicial manteve, ao menos temporariamente, uma locomotiva histórica em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo). Alvo de disputa entre a cidade e o consórcio Trem Republicano, comandado pelas prefeituras de Salto e Itu, a maria-fumaça chegou a ser colocada numa carreta na última quarta-feira (20), mas foi impedida de deixar a cidade…

Abandonada, alvo de constantes furtos e de vandalismo, a maria-fumaça está estacionada nas últimas décadas na avenida Mogiana, ao lado da estação ferroviária da cidade, inaugurada em 1967.

A autorização para levar a locomotiva para Salto foi dada pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), responsável pelo acervo da extinta Rede Ferroviária Federal, por meio do termo de transferência nº 292.

O consórcio do Trem Republicano, que levaria a máquina, informou que a maria-fumaça está há mais de 30 anos “em situação de abandono, sendo alvo de vândalos e espaço para práticas ilegais”…

A maria-fumaça é uma das duas em exposição em locais públicos de Ribeirão Preto. Sem passar por restauração ou ter proteção eficiente, sofreu com muito vandalismo e furtos de peças nas últimas décadas.

Elas têm elo histórico com o desenvolvimento econômico da cidade -uma das principais atendidas pela CMEF (Companhia Mogiana de Estradas de Ferro), ao lado de Campinas-, e responsável por transportar o “ouro verde”, como era chamado o café no início do século passado.

Independentemente de ficar em Ribeirão ou ir para Salto, a locomotiva precisa de muito restauro. A ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária) estima em ao menos R$ 1,5 milhão o montante a ser desembolsado para deixar a maria-fumaça em condições de transportar passageiros….

“A fornalha dela é de cobre, provavelmente terá de ser feita uma nova. Além disso, faltam muitas peças…De acordo com o Dnit, o consórcio pretende restaurar a máquina e propiciar a volta da composição à circulação ferroviária.”O Dnit, enquanto proprietário formal dos ativos, vislumbrou a possibilidade de apoiar o projeto e devolver essa composição aos trilhos, como forma de incentivar a preservação da memória ferroviária paulista”, diz trecho de nota do órgão…

A outra locomotiva exposta em Ribeirão, na praça Francisco Schmidt, vizinha à antiga estação ferroviária, é alvo de dois projetos para a implantação de rotas turísticas. Assim como a maria-fumaça objeto do imbróglio, também sofre com vandalismo e serve de abrigo a usuários de drogas e moradores de rua. Além das locomotivas, a preservação do patrimônio ferroviário no principal trecho da Mogiana é ínfimo. Reportagem da Folha mostrou que, das 52 estações que existiram entre Campinas, onde começava a Mogiana, e Ribeirão Preto, a então “capital do café”, 17 foram demolidas, 9 estão abandonadas e outras 9 servem de moradia, algumas em estado ruim.

Fonte: Folha de São Paulo, internet