Hélio Regato, ministro aposentado do Superior Tribunal do Trabalho e presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores Ferroviários encaminhou à Associação Mútua a seguinte mensagem:

“ A FNTF – Federação Nacional dos Trabalhadores Ferroviários sente-se muito honrada e gratificada em estar presente a este evento, oportunidade que se comemora o centenário da Associação Mútua Auxiliadora dos Empregados da Estrada de Ferro Leopoldina.

                Nosso júbilo é ainda maior porque não se trata apenas de uma data de interesse local. A Associação se não é a maior, é uma das maiores expressões em defesa do trabalhador ferroviário, caracterizou-se ao longo da história como um exemplo de luta e resistência em prol dos direitos da dignidade da pessoa como protagonista de sua própria vida e da luta pelos seus direitos. Esse espírito de pioneirismo, de coragem e de ação está bem retratado na trajetória desta entidade e de todos que construíram e constroem a sua história. Demonstra, sobretudo, a força moral dos trabalhadores que enfrentaram muitas vezes a insensibilidade e a repressão governamental.

                Confirmando o que disse o historiador Eric Hobsbawn em seu livro “Mundo do trabalho” publicado pela editora Paz e Terra em 1987:

                “A história operária é parte da história da sociedade. Os ferroviários, homens e mulheres, são parte importante não apenas na construção da história, mas sim de todo o Brasil”.

                Essa participação não se traduz apenas nessa questão, mas também em fatos que ocorreram envolvendo a família ferroviária, belo exemplo de pioneirismo e de solidariedade. Permita-me, nesta oportunidade, repetir um trecho do texto “A alma do trem” que é um dos textos de apresentação do livro “Trilhos e Letras, uma antologia do trem”, do professor Victor José Ferreira, em boa hora editado pelo Movimento de Preservação Ferroviário:

                “Esse trabalhador, o ferroviário, alma do trem, era alvo de admiração e reconhecimento desde o surgimento da primeira estrada de ferro no Brasil. Trabalhar na ferrovia era o sonho de muitos desde a infância, mas com a ascensão da lógica, do lucro a qualquer custo, o trabalhador dos trilhos foi sendo relegado, seus direitos muitas vezes ignorados, sua remuneração aviltada. Daí a emergência do movimento sindical ferroviário, pioneiro nas lutas pela preservação da dignidade do trabalhador em nosso país. Uma luta que prossegue e se fortalece à medida que as entidades sindicais e associações de aposentados e pensionistas passaram a superar suas divergências e a trabalhar juntas em prol do ferroviário. A alma do trem não é apenas o passageiro que nele viaja, é também a gente que, no dia a dia, faz o trem andar. O ferroviário, o trabalhador que nas mais diversas funções coloca sua mente, seu coração, sua dedicação e seus saberes a serviço da estrada de ferro. A ferrovia está viva e viva a ferrovia!”

                Com estas palavras, a FNTF cumprimenta os valorosos ferroviários e que esta brava associação que hoje comemora um século de sua fundação, continue como exemplo de luta, de resistência, de equilíbrio, de bom senso, de solidariedade e de serviço a nossa categoria. Parabéns aos nossos companheiros que têm a missão de dirigir esta associação, continuem assim porque logo, logo estaremos atingindo ao segundo século de existência.”