Por Fernando João Abelha

Após as decisões de liquidação das ferrovias tradicionais, iniciada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, perpetuada por Lula da Silva e Dilma Rousseff, quando cerca de 27 mil quilômetros de linhas, por todo território nacional, com sete sistemas regionais, administrados pela então RFFSA, foram, na sua maioria, abandonados, nos faz concluir que, até o momento, ainda não convenceu para que esta medida foi tomada.

O que se viu após esse fatídico extermínio da RFFSA, há cerca de 20 anos, nada mais foi do que benesses concedidas a grupos de empresários que usufruem, apenas, do “filé mignon” dos trechos concedidos, cerca de 7 mil quilômetros, para transportar tão somente, as cargas do seu interesse empresarial. O restante da malha, 20 mil quilômetros, foi totalmente abandonado, saqueado, invadido e o que sobrou do material rodante, milhares de locomotivas e vagões, apodrece ao relento, tomados pela ferrugem, transformados em criadouros de mosquitos, enquanto aguardam as decisões da burocracias para providênciar o sucateamento.

Triste fim de uma empresa mais que centenária, que serviu, pacientemente e obreiramente, aos interesses econômicos do Brasil Império ao Republicano. A insensatez foi tamanha que liquidaram a estatal sem ouvir aos ferroviários. Se houve planejamento, este situou-se apenas no imediatismo da destruição e no ilusionismo de que os novos donos estariam preocupados com o Brasil. Nada se viu voltado à preservação do patrimônio físico, histórico e humano de um dos mais ricos inventários do nosso País. Os ferroviários, totalmente desprotegidos, são tratados como sucata humana nas mãos de uma desinteressada empresa de engenharia, a VALEC do Juquinha para onde, pervessamente, foram transferidos por sucessão trabalhista. Assim, além do patrimônio físico, o Brasil perde, também, a experiência de abnegados trabalhadores ferroviários que através de décadas operaram as nossas ferrovias e poderiam hoje iluminar aos que constroem as inacabadas novas linhas e operam ferrovias. Perde-se, portanto, o patrimônio histórico e humano de toda uma classe de profissionais que honrou, até então, o nosso Brasil e hoje se veem desamparados a esmolar até o direito de ver seus salários reajustados, anualmente, pela inflação.

O que é pior, toda essa avalanche destruidora da RFFSA e de seus empregados,  está comprometida pelo descaso dos que deveriam fiscalizar o patrimônio físico e capacitar-se com o humano, remanescente da RFFSA por todo País. Pouco ou quase nada fizeram nesse sentido, certamente, por estarem comprometidos nos processos do novo e ainda ineficiente sistema de concessões.

No momento discute-se a prorrogação por mais 25 anos destas concessões que poderão até sair das atuais mãos apadrinhadas para encontrar novos operadores. Ressalte-se, no entanto, que este blog acredita na pessoa, competência e honestidade do jovem ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella, que tem demonstrado a todo instante, moderada linha de ação e continuada presença nos problemas nacionais presentes e futuros, notadamente, os relacionados ao seu Ministério. Vamos acreditar que o Brasil está mudando. Eu acredito.