Pesquisa e edição: Luis Fernand0 Salles
Atrasos recorrentes, revisões de projeto, orçamento inicial quase triplicado, problemas com empreiteiras, denúncias de prejuízos sociais e ambientais. Em uma década de obras e após mais um prazo descumprido, a ferrovia Transnordestina coleciona processos, investigações e auditorias em diversas frentes. Somente no Tribunal de Contas da União (TCU), são sete procedimentos que apuram irregularidades no empreendimento. Um dos documentos cita “vícios gravíssimos” no contrato da obra.
As penalidades preveem multas e podem resultar até na abertura de um processo de caducidade do contrato com a concessionária, a Transnordestina Logística, consórcio formado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e pela Taquari Participações.
O TCU diz que a obra, lançada em 2006, custava inicialmente R$ 4,5 bilhões e passou para R$ 7,5 bilhões em 2012. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ainda não aprovou o orçamento da obra, mas R$ 6 bilhões já foram investidos, e a Transnordestina Logística diz que o valor atual da construção é de R$ 11,2 bilhões. O prazo mais recente para o término do empreendimento era 22 de janeiro deste ano. Uma vez mais, o cronograma não foi cumprido.
No ano passado, o repasse dos recursos chegou a ser bloqueado por ordem do ministro relator Walton Alencar Rodrigues. Em decisão posterior, ele revogou a medida. A representação do Ministério Público de Contas na ocasião citava “indícios de irregularidades graves cometidas pela ANTT na celebração de atos e contratos visando à construção e à exploração da Transnordestina”.
O documento afirmava que acordos foram firmados “sem prévia licitação” e pontuava “diversas irregularidades na execução da construção e no valor real dos investimentos, bem como descompasso entre a execução física e a financeira”. O texto do MP de Contas era categórico ao frisar que “recursos públicos estariam sendo empregados de forma indevida”.
O relatório falava ainda de “vícios construtivos” na obra, como baixa qualidade dos trilhos e trincas na plataforma de aterros. Em seu voto, no entanto, o relator ponderou que “o atraso na execução física da obra em relação ao cronograma decorria da não integralização de recursos que deveriam ter sidos aportados pelas entidades públicas”.
O trecho entre Belém de Maria (PE) e o porto de Suape, no litoral pernambucano, ainda não foi sequer terraplenado porque o projeto está em revisão. “Houve necessidade de readequação do traçado inicialmente proposto em função da construção de uma barragem de contenção de cheias”, explica, se referindo à barragem de Serro Azul, que ainda não está pronta e deve atender 10 municípios.
O Ministério dos Transportes, responsável por coordenar a execução da obra, atribuiu o atraso a “questões financeiras” e a “ajustes no projeto da ferrovia”. A pasta disse ainda desconhecer irregularidades na construção da Transnordestina e frisou que ela “continua sendo uma obra de infraestrutura prioritária para o país”.
A Transnordestina Logística deu novos prazos para conclusão do empreendimento: 30 meses para o trecho entre Eliseu Martins (PI) e o porto de Pecém (CE) e mais 14 meses para a ligação até o porto de Suape (PE), o que deve arrastar a construção da ferrovia pelo menos até 2019, com previsão de transportar, numa primeira etapa, 30 milhões de toneladas anuais de produtos. A TLSA quer devolver o que chama de “parte não operacional da Malha Nordeste”, que contempla Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas, por “inviabilidade econômica”.
Fonte: G1

Antes de fazer qualquer aporte financeiro, te que ser revisto todo o projeto e punir os responsáveis por essa dispersão de recursos incluindo as revisões necessárias.,
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Prezado Abelha. Creio que desde o governo FHC foram extintos os órgãos de fiscalização. Como exemplo o DNEF que sempre fiscalizou as linhas da Leopoldina. Tinhamos que seguir orçamentos, prazos, especificações, etc… Nossas linhas férreas melhoraram muito. Havia Auditoria Interna para fiscalizar tudo. Com a cambada de políticos incompetentes deu nisso que ora nos revolta e criam cada vez mais impostos exorbitantes para suas trapaças. Li no jornal recentemente que 80.000 brasileiros ricos foram morar em Portugal. Onde vamos parar? Os picaretas insistem com a maior cara de Pau cada vez mais afundando o país. Fazer obra nova é o mais fácil. Terrenos livres e firmas terceirizadas. Não há razão e nem motivos para atrasos e superfaturamentos nas obras. Só servem para encher os bolsos dos incompetentes e velhacos.
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UMA DÉCADA ?
Volto a insistir, podem até, ter mudado o primeiro traçado, mas esta obra,teve seu inicio, em 1990, digo com conhecimento de causa, pois estive visitando o primeiro trecho de terra-planagem, de Salgueiro/PE em direção a Petrolina,e desde seu inicio, esta obra foi marcada por desvio de conduta e de verbas,pois foi exatamente neste ano 1990, que fizemos a primeira denúncia de desvio, ainda na montagem do canteiro de obras, quem quiser, é so pesquisar os jornais Pernambucanos desta época.
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João Batista
Isto é uma vergonha. Com tanta gatunagem será muito difícil o governo cumprir a sua missao constitucional em dar ao combalido povo brasileiro,saúde, segurança, educação, transportes, alimentação e outras obrigações do Estado, com a utilização dos nossos impostos mais que bilinários que vão para o ralo.
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