Reportagem de Luis Fernando Salles e Vinicius Tresse

O Museu Ferroviário foi inaugurado pela extinta RFFSA em 1984. Ele se localiza nas oficinas do Engenho de Dentro, bairro criado pela ferrovia, no galpão de pintura dos antigos carros da estação Dom Pedro II, que após a proclamação da república passou a ser chamada Estrada de Ferro Central do Brasil.

O local onde está instalado o museu se deu aproveitando-se oficinas ferroviárias abandonadas e construídas à época em face do aumento do número de passageiros e cargas nas ferrovias.Então, foi preciso construir uma oficina para reparo e construções dos vagões. O terreno escolhido foi a Fazenda Engenho de Dentro e o local passou a sediar o complexo de Oficinas de Locomoção, inaugurado em 1871. Mais de um século depois, o lugar se tornou o Museu Ferroviário.

O museu abriga algumas peças históricas do passado ferroviário do Brasil, como a Baroneza, que foi construída na Inglaterra e se tornou a primeira locomotiva a trafegar pelo Brasil, quando inaugurou a Estrada de Ferro Barão de Mauá em 1854; o Carro Imperial  que foi fabricado em 1886 na Bélgica para servir ao imperador do Brasil, Dom Pedro II; o Carro do Rei Alberto que fazia parte da composição adaptada exclusivamente para servir ao Rei da Bélgica, em 1921, por ocasião da sua visita ao Brasil e o Carro Presidencial que serviu ao presidente Getúlio Vargas na década de 30.

O agora antigo museu, se encontrava em estado de abandono, com seus galpões e estruturas mal cuidadas. As Olimpíadas 2016 no Rio de Janeiro colaboraram para mudar esse quadro. Com o projeto do governo de revitalizar o local, que passou a ser chamado de Praça do Trem, o museu ferroviário se tornou uma grande área de convivência com cerca de 40 mil metros quadrados, utilizando os galpões como ponto de atração dos moradores para a praça. A obra era prevista para terminar em 2015, mas devido a atrasos, foi entregue poucos meses antes do início dos jogos olímpicos. A revitalização da praça incluiu ainda um paisagismo, instalação de um mobiliário urbano, reparos de drenagem e reformas das calçadas, com um custo total de R$ 35,8 milhões.

Fachada do museu antes de pois da reforma

Seu Antonio, que mora nas redondezas do local disse que a obra foi excelente para a melhoria da área e que era um absurdo que um patrimônio tão importante na história da cidade se encontrasse naquele estado de abandono.

Sobre o projeto de revitalização o então secretário municipal de obras, Alexandre Pinto, esclareceu: “Vamos revitalizar toda aquela área, melhorando ambientação na entrada do estádio  olímpico conhecido por Engenhão, junto à linha férrea. Hoje você só tem lá uma passarela e o que a gente quer é abrir aquilo ali para a população, para que as pessoas circulem. Vamos retirar os muros que barram a visão dos galpões, derrubando algumas paredes para criar uma grande praça de convivência. Para isso, vamos reformar os galpões: três serão restaurados e dois, que não têm relevância histórica, serão totalmente desmontados e refeitos”

A direita, um dos galpões do museu reformados pelo projeto Praça do Trem