Comentários de Fernando Abelha

Estima-se que a venda de sucatas de bens móveis por quilômetros da malha ferroviária concedida pelo governo e abandonada pela iniciativa privada, também com seus bens imóveis, deverão render às empresas que detém as concessões, algo em torno de R$ 10 bilhões.

Assim, dos 30 mil quilômetros concedidos, 16 mil foram abandonados à própria sorte por mais de duas década. Por consequência, centenas de locomotivas, vagões, carros de passageiros, maquinarias e outros bens, ficaram ao relento nos pátios e nas estações também abandonadas em sua maioria. Estagnados, sem qualquer manutenção debaixo de chuva e sol são agora, classificados  como sucata.

Esta trama irá render um bom dinheiro aos empreiteiros “operadores” que dificilmente chegará aos cofres públicos na sua integridade. Com precária fiscalização, até o momento, pelos órgãos do Ministério dos Transportes, nada nos faz crer que a partir de agora a sucata a ser vendida será conferida e os recursos arrecadados remetidos aos cofres da União. Assim, vão sepultando aos poucos o que restou da nossa RFFSA, sem qualquer retorno conhecido que justificasse a sua extinção.

Pois bem, a RFFSA foi trucidada pelos desmandos dos governos anteriores. Agora, querem corrigir parte dos danos através da venda da sucateada ex-empresa.  Mas os ferroviários não foram extintos. Permanecem vivos. Nada mais justo do que se aplicar pequena parte do resultado a ser alcançado com a venda de sucatas, em favor do atendimento social dos ferroviários. Social esse conquistado pelas autênticas lideranças sindicais através dos anos e que desaparece a cada dia no turbilhão da insensatez do próprio governo, que largou de mão os bravos ferroviários

Assim, nada impede ao governo devolver aos ferroviários os bens sociais conquistados pela classe por quase dois séculos de trabalhos dioturnos, com sangue suor e lágrimas. Somente não farão se a destinação dos recursos da venda de sucatas estiver destinada, apenas, aos amigos do rei.

Assim entendo…