Por Fernando Abelha

Embora este blog não tenha por objetivo o comentário político-partidário, não poderíamos deixar de registrar o momento que o Brasil atravessa. Como a maior e mais expressiva nação da América Latina, passa por um período de importantes definições políticas, após o afastamento da presidente Dilma Rousseff, com a consequente ascensão do vice-presidente Michel Temer. Assim, sem pretendermos analisar o mérito dessa peleja política que demanda incontáveis artimanhas da situação e da oposição, entendemos que não devemos nos omitir quanto aos dois principais problemas imediatos que afetam, sobremaneira, a toda Nação. São eles: a recessão que atinge a todos nós, e o desemprego que penaliza cerca de 11 milhões de brasileiros.

Pedimos compreensão pelo fato de não termos formação em economia, mas, lastreamos os nossos comentários, tão somente, pelo que a imprensa vem registrando. Assim, entendemos não bastar somente à busca pelo equilíbrio fiscal, peça chave do atual discurso neoliberal. Acreditamos que, por seu potencial, o Brasil sairá da atual crise política/econômica e quando isso ocorrer precisará, rapidamente, tomar medidas antirrecessão. Elas são amplamente divulgadas: corte de juros básicos, que permanecem, inexplicavelmente, em cerca de 15% ao ano, taxa que envergonha a qualquer país; estímulo ao crédito para consumo e investimentos, nenhuma economia anda sem isso; e incentivo às atividades com alto índice de geração de emprego, principalmente na construção civil e na infraestrutura. 

Entendemos, também, que esse governo pós-crise terá de pôr em andamento medidas de efeito a médio e longo prazo. Aquelas reformas há tanto tempo reclamadas pela sociedade. Os mais jovens podem não acreditar, mas a reforma tributária, por exemplo, poderá diminuir a carga de impostos, o que exigirá a consequente reforma administrativa para cortar gastos públicos que afetam, amplamente, a economia.

Na área trabalhista a reforma seria na linha da flexibilização da legislação, enquanto que a reforma previdenciária terá de caminhar no sentido das pessoas se aposentarem mais tarde, acompanhando o aumento da expectativa de vida da população, isto de formas também flexível, após o indispensável estudo atuarial que adequará a legislação, a qualquer momento, e proporcionará a idade adequada para que se requeira a aposentadoria. O processo passará a ser dinâmico e não estático.

Por sua vez o País reclama por um novo sistema eleitoral que modernize a representatividade e assim promova a renovação dos quadros políticos além de reduzir a representatividade dos partidos políticos em, no máximo, quatro correntes ideológicas. A estabilização da moeda a partir de Itamar Franco deve servir de inspiração para o combate à inflação. Os avanços no setor social do período Lula e Dilma devem, sem dúvidas, ter continuidade. Assim entendemos.