Empresa América Latina Logística, hoje denominada Rumo Logística, tem dívidas bilionárias e está sem caixa para fazer investimentos em manutenção e renovação das linhas. Com suas quatro concessões ferroviárias engloba, aproximadamente, 12 mil quilômetros de ferrovias localizadas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, que concentram cerca de 80% do PIB. Focada no transporte de commodities agrícolas e produtos industriais, estão conectadas aos quatro principais portos de país (Santos – SP, Paranaguá – PR, São Francisco do Sul – SC e Rio Grande – RS), por onde passam a maior parte das exportações de commodities agrícolas. Cabe ressaltar que esses produtos respondem por cerca de 70 a 80% do volume transportado neste segmento.

No entanto, com desvalorização de 75% na bolsa apenas em 2016, dívidas na casa dos R$ 6 bilhões e sem caixa para fazer investimentos necessários na manutenção de sua estrutura, a Rumo ALL é, hoje, sinônimo de problema para o setor logístico.

Formada a partir da fusão do braço de transportes da Cosan com a ALL em 2014 – negócio avaliado em US$ 4,7 bilhões à época, a empresa precisaria, conforme avaliação interna e de analistas, de R$ 8 bilhões para renovar linhas férreas que administra e comprar novas locomotivas e vagões. O que assusta investidores é não ter sinais de que esse dinheiro pode vir. Em cenário de alta do juro e acesso ao crédito mais difícil, a restrição é ainda maior. No Estado, as condições oferecidas pela Rumo têm afastado  clientes e desestimulado a utilização da ferrovia.

Vice coordenador do Fórum de Infraestrutura e Logística da Agenda 2020, Paulo Menzel avalia que a crise fez a companhia perder contratos de transportes de cerca de três milhões de toneladas por mês. Esclareceu que a perda de transporte nada mais é do que reflexo da deterioração do serviço. Se a Rumo quiser voltar aos trilhos, precisa  renovar a concessão. Sem isso, não vai obter recursos para investir. E o  Estado se inquieta com seu futuro.

Fontes: SINDIFERGS; Jornal Zero Hora