A recessão econômica além de ter aumentado o número de desempregados no país, tem uma consequência nociva para aqueles com carteira assinada: a perda de recomposição salarial.
Dados do Boletim Salariômetro da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) mostram que em março 60,2% das negociações para reajustes ficaram abaixo da inflação para o mês.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) no mês passado ficou em 11,1% e o aumento médio das categorias com data-base em março foi de 11%.
“O cenário é muito ruim para os trabalhadores. A notícia boa é que a inflação tende a cair ao longo do ano e mesmo que os empregados não consigam aumento real, o poder de compra pode melhorar”, disse o coordenador da pesquisa, Hélio Zylberstajn.
Segundo o boletim Focus, do Banco Central, o INPC para este ano deverá ser 7,52%. No ano passado, o índice ficou em 11,3%.
“Nos últimos seis meses, os aumentos salariais, que foram concedidos, foram abaixo do INPC. Não há perspectiva de melhora”, ressaltou Zylberstajn.
“É muito difícil negociar reajuste em tempos de crise. O medo do desemprego é maior que qualquer outra coisa, A categoria não se mobiliza para conseguirmos um aumento de salário melhor”, disse Antonio Carlos de Oliveira, presidente do Sindicado dos Vigilantes e Empregados de Empresas de Segurança (Sindvig).
O diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Econômicos (DIEESE), Clemente Ganz Lúcio, disse que a tendência neste ano é o aumento das perdas salariais dos trabalhadores. Segundo ele, os sindicatos têm outro objetivo com a crise: a manutenção dos postos de trabalho.
“A tendência é ainda parcelamento dos reajustes e composição com abonos ou outros benefícios que não são incorporados aos salários. É um comportamento semelhante ao do ano passado”, disse.

Fonte: Folhapress – Ana Paula Machado