2 – O PLANO NACIONAL DE LOGÍSTICA E TRANSPORTES (PNLT) E O PROGRAMA NACIONAL DE LOGÍSTICA INTEGRADA (PNLI)

 

O Plano Nacional de Transportes e Logística (PNLT)

Toda logística se supõe integrada. Portanto, chega a ser uma redundância a criação de PNLI – Programa Nacional de Logística Integrada, considerando a já existência de um Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT)

O Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT) prescreve como um dos objetivos principais reordenar a Matriz Intermodal de Transportes do Brasil – a qual apresenta significativas distorções – se comparadas às distribuições mais equilibradas ocorrentes em outros países.

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Observações: (1) Não inclui oleodutos e transporte aéreo; (2) Exclui transporte de minério de ferro; (3) PNLT 2025
Repartição intermodal de transportes no Mundo x PNLT 2025 BRASIL (projeção)
Fonte: Ministério dos Transportes e ANTT

 

Os benefícios esperados

Os benefícios esperados – caso confirmadas as projeções do Plano Nacional de Logística de Transportes (PNLT) – serão: REDUÇÃO de 41 % de consumo de combustível, 32 % de emissão de CO2 e 39% de emissão de NOx e AUMENTO de 38 % na eficiência energética.

A vantagem competitiva do transporte aquaviário é visualizada por parâmetros comparativos entre os três modos principais, cotejando capacidade de carga com o espaço físico ocupado.

O quadro 4 é contundente ao expressar a racionalidade que ocorreria caso 172 caminhões/ carretas fossem retirados das rodovias e substituídos por 1 (uma) única barcaça.

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CAPACIDADE DE TRANSPORTE X ESPAÇO FÍSICO OCUPADO
Fonte: Ministério dos Transportes – Secretaria da Política Nacional dos Transportes (SPNT)

Por uma “matriz verde” de transportes no Brasil.

Uma análise prospectiva do mercado possibilita a elaboração de cenários, os quais – caso seja incorporada a redução da emissão de CO2 propiciada pela alternativa marítima em relação ao modo rodoviário de transporte – conduzirão a uma potencial EcoLogística, em síntese, uma Logística que – além de incluir o meio-ambiente – tenha eco (repercuta) e L maiúsculo, contribuindo para que a tão discutida e propalada SUSTENTABILIDADE seja efetivamente aplicada ao setor de  transportes. Vale ressaltar que não existe – até hoje – um único projeto de MECANISMO DE DESENVOLVIMENTO LIMPO (MDL) no Brasil, direcionado a uma possível reestruturação da inadequada matriz intermodal de transportes brasileira. Tal projeto poderá contribuir primordialmente para reverter esta situação. O PNLT (Programa Nacional de Logística de Transportes) do Ministério dos Transportes tem previsão para que, em 2023, a repartição intermodal de transportes seja mais equilibrada e – em conseqüência – mais favorável aos modos que apresentam uma melhor eficiência energética (ferroviário e aquaviário). Tal fomento por uma “MATRIZ VERDE DE TRANSPORTES PARA O BRASIL” almeja a sinergia desse processo de ajustamento. Os “stakeholders”(atores/ agentes intervenientes deste processo decisório) são a seguir alinhados no FLUXOGRAMA da figura a seguir para a construção de uma “matriz verde” de transportes:

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Os stakeholders para uma EcoLogística –  Matriz Verde
Elaborado pelo autor

 

Contextualização

Mistral é um vento intenso e cortante que ocorre no sudeste da França. É desse “sopro renovador” – com a criação de um acrônimo e do uso do imaginário – que extraímos a ideia para dar continuidade ao Projeto desenvolvido no INRETS (“Institut National de Recherche sur les Transports et leur Securité”), visando inserir sistemas em empresas de transportes e de logística, ao qual denominei MISTRAL (Modelagem e Integração de Sistemas nas Empresas de Transporte e Logística). O caráter inovador de tal projeto e de sua abordagem é aqui delineado para um sistema logístico intermodal sustentável que caracterize os modos de transporte mais eficientes sob os pontos de vista econômico, energético e ambiental. O aspecto inovador é a geração de sistemas de informação passiveis de utilização como instrumentos de trabalho nas decisões referentes a Sistemas Logísticos que incorporem o aspecto sustentabilidade como condicionante em sua metodologia.

A partir do reconhecimento da situação atual da infraestrutura brasileira e sua logística conseqüente é proposta uma nova configuração orgânico-institucional, que – além de integrar os diversos “stakeholders” – possibilite a observância sinérgica dos critérios econômicos, energéticos e ambientais.

A qualidade da infraestrutura brasileira

A Fundação Dom Cabral (FDC) de Belo Horizonte realizou em 2014 uma pesquisa com 111 empresas visando a obtenção de um diagnóstico sobre a qualidade da infraestrutura brasileira, sendo apurados os percentuais do gráfico 4, os quais reforçam um estado geral desolador e bem distante do ideal. Os dados referentes às infraestruturas portuária, ferroviária e rodoviária apresentam – respectivamente – o status de muito bom em 0,9% para os portos, 0,9 % para as ferrovias e 1,8 % para as rodovias. O status muito ruim é apurado com 35,8%, 66,4% e 30%, respectivamente, sinalizando o quanto ainda se pode melhorar.

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Gráfico da Qualidade da infraestrutura brasileira
Fonte: FDC – Fundação Dom Cabral
 

Sergio Iaccarino (sergio.iaccarino@transportes.gov.br): Engenheiro Civil com Doutorado em Engenharia de Produção (Inovação Tecnológica e Organização Industrial) e Mestrado (Projetos Industriais e Transportes), ambos pela COPPE/UFRJ; Especialista Sênior em Infraestrutura do Ministério do Planejamento, ora em exercício no Ministério dos Transportes; Pesquisador do Programa “Modelagem de Sistemas Complexos em Logística e Transportes” no INRETS, França; Superintendente de Planejamento da STU/ RJ e Chefe do Departamento Geral de Programas da Diretoria de Transporte Metropolitano da RFFSA (Rede Ferroviária Federal); Chefe da Coordenadoria de Apoio da Diretoria de Planejamento e Assessor da Presidência da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos).